As nuvens estavam gordas e escuras. Andavam lentas pelo céu, onde a tensão inexplicável parecia fazer o ar crepitar.
Um flash de relâmpago iluminou o mundo, mas foi um som de montanhas desabando que rompeu a calma que já estava por um fio.
Respondendo ao trovão, as nuvens se romperam e fizeram descer uma água grossa e ruidosa que rolou pelas ruas e molhou as casas e escureceu ainda mais o dia.
Aquele choro rasgado durou muitas horas e, quando por fim se desfez numa chuvinha rala e simpática, fez surgir um mundo novo, limpo, de alma lavada, sem pecados nem crimes.
(Publicado originalmente em 21.03.2005, em konohito.blogger.com.br)