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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Drama

E depois, o silêncio.

Sem explicação, sem aviso prévio, sem uma queixa, você deixou de falar comigo. Sem nenhum motivo – pelo menos para mim.

Primeiro, veio o susto. A certeza que era um engano: É paranoia. Hoje não, mas amanhã ela fala. Esperança. Sempre a última a morrer.

Depois, a esperança tornou-se ansiedade. E por fim angústia. Um dia, dois, três. Uma semana inteira sem uma palavra sua, uma mensagem, um emoticon.

A comida perdeu o sabor. Da bebida, só o efeito do álcool; a demora para dormir e o despertar na madrugada, fazendo a mim as mesmas perguntas que já lhe fiz. Por quê? O que eu fiz? Quando? De você, só o silêncio.

Os livros amigos à cabeceira da cama me ajudando a distrair a angústia e adormecer por mais umas horas, enquanto o sol nasce lá fora. Porque aqui dentro seu silêncio e a escuridão se confundem.

Passo os dias como um cachorro esperando o dono que não vem mais. De orelha em pé, cada toque, cada mensagem que chega pode ser sua, me dizendo: Deixe de paranoia! Mas, como aquele cachorro, sempre volto a me enrolar no meu canto. Não era o dono.

E é assim que temos vivido esses dias. Eu e essa esperança teimosa, que insiste em não morrer.

Sempre aguardando o próximo toque, a próxima mensagem que quebre o seu silêncio. Talvez até sua voz censurando o meu drama:

– Deixe de paranoia! Ai ai ai...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sombra preta


O ciúme entrou como um miasma pelas frestas da porta e invadiu tua sala, teu quarto, teus pulmões.

Seu odor acre ardeu dentro de ti e trouxe um gosto ruim à tua boca.

Mas o ciúme não te fez injetados os olhos, não afiou as tuas unhas nem reclamou o sangue que as traições cobram como tributo.

Pois o ciúme não se fez em ira.

O vinho não virou vinagre mas o ciúme, como um santo ao contrário, o transformou em água e foi como se um ar novo invadisse a casa e arejasse a tua alma e te deixasse em paz.


(Publicado originalmente em 08.01.2005, em konohito.blogger.com.br)