sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sirenas

Insano, persigo sonhos impossíveis - cego pelo desejo, iludido pela vontade.

Em minha luta perdida contra o que passou, só tenho à frente a frustração do que nunca poderia ter sido. A realidade -irmã do tempo- não espera por ninguém. Enquanto isso, seus frutos apodrecem nos galhos esperando por mim.

Mais uma vez, vou olhar pra trás e me perguntar por que não pus cera nos ouvidos. Por que não me amarrei no mastro. Por que corri atrás de fantasmas.

Mas não terei as respostas, pois certamente novos cantos me afastarão da minha rota, e novamente estarei cumprindo meu destino e mergulhando naquele escuro vazio onde elas cantam. Em busca de nada.


(Publicado originalmente em 10.10.2004, em konohito.blogger.com.br)

Dead end

Ela tentava explicar porque eles não dariam certo.

Ele, cabeça baixa, desenhava caminhos nas costas da mão dela.

Ela mostrava que ele entendera errado, que seriam sempre amigos (sempre), que gostava muito dele...

Ele percebia que a cada palavra ela dava mais uma volta, se distanciava, fugia do que precisava ser dito.

No fundo, ela tentava não machucá-lo, em suas voltas e voltas e voltas, mas desde o início ele sabia que os caminhos que desenhava nas costas da mão dela eram becos sem saída, partidas sem chegada, rios sem mar. Estavam perdidos para sempre.

Como ele.


(Publicado originalmente em 16.09.2006, em konohito.blogger.com.br)

Lunes

Um frio mais forte me despertou num fim de madrugada, sentindo por dentro uma tristeza sem razão.

Pela abertura da janela, uma lua morta escorria sobre mim e logo eu estava mergulhado outra vez em sonhos melancólicos de fantasmas e saudades.


(Publicado originalmente em 19.09.2006, em konohito.blogger.com.br)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mais de mim

Houve um tempo em que dei pra beber sozinho.

Nas noites de festa, ficava em casa, bebendo uísque com gelo e remoendo a minha solidão.

Ouvia músicas que me deixavam mais triste. A mesma música uma e duas e várias vezes, sem parar, enquanto lamentava minha falta de sorte com as mulheres, minha falta de sorte com o trabalho, minha incapacidade de simplesmente ter um rumo na vida.

Como veio, passou. E hoje não sei se foi por força minha ou se somente fui levado pela mão por um destino que já me arrastava pelos cantos há muito tempo.

Tendo a crer que fui salvo pelo amor. Mais um amor irrealizado como todos os outros, mas um amor que me tirou de um poço de autopiedade e me mostrou que os caminhos existem para serem trilhados. Mesmo quando vão dar em lugar nenhum.